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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Inheritance – Christopher Paolini

 

Tudo começou com Eragon

E termina com Inheritance.

InheritanceNão muito tempo atrás, Eragon – Matador de Espectros, Cavaleiro de Dragão – era nada mais que um fazendeiro, e seu dragão, Saphira, apenas uma pedra azul na floresta. Agora o destino de toda uma civilização está em seus ombros. Longos meses de treinamento e batalhas trouxeram vitórias e esperança, mas também perdas de partir o coração. E ainda, a batalha real está a frente: eles precisam confrontar Galbatorix. Quando isso acontecer, eles deverão ser fortes o bastante para derrotá-lo. E se eles não conseguirem, ninguém mais conseguirá.  Não haverá segunda chance. O Cavaleiro e seu dragão chegaram mais longe que qualquer um jamais ousou chegar. Mas serão eles capazes de derrubar o rei cruel e restabelecer a justiça a Alagaësia? E se conseguirem, a que preço? Este é o tão esperado final do best- seller mundial Ciclo A Herança.

ATENÇÃO! SPOILERS SE VOCÊ NÃO LEU NENHUM LIVRO DO CICLO A HERANÇA!

E talvez alguns deste livro mesmo. Mas, como sempre, eu aviso antes, pra não ter problema. Este começa pouco tempo depois do final de Brisingr, e já começa agitado, no meio de uma batalha. Os Varden, junto com Eragon, Saphira e Arya, estão retomando uma das cidades do Império. E logo de cara já temos uns sustos, meu coração parou, mas tudo ficou bem. Na medida do possível.

Eragon agora já é um  Cavaleiro graduado. Ele teve que amadurecer, depois do golpe da morte de Oromis no terceiro. E seu amadurecimento não é só pessoal. Ele agora é um guerreiro melhor e até certo ponto, mais duro. Não é nem de longe o melhor do livro, mas ele já não é tão insuportável. Em termos, quer dizer. Como tem o posto de único Cavaleiro livre, esse aspecto às vezes deixa ele um pouco arrogante (acho que é a convivência com Saphira…). E, sinceramente, ele continua burrinho… Algumas coisas bem óbvias, ele não enxerga. Mas de qualquer forma, gosto mais dele neste livro do que nos outros. E uma coisa bem legal, é que apesar da arrogância, ele tem incertezas e medos, o que fazem dele mais humano.

Arya, por sua vez, está menos distante, e já começou a admitir para si mesma seus sentimentos por Eragon. Mas acho que a relação dos dois deixou um pouco a desejar. Como Eragon, ela não está tão chata. Ainda me irrita, mas menos. Gosto desse lado menos reservado dela.

E Roran, fechando o trio da batalha que eu falei no começo, finalmente tem seu valor apreciado pelos Varden (e por Nasuada). Depois que conseguiu comandar com grande competência um batalhão, ganhou a patente de Capitão. E ele é respeitado por todas as raças da Alagaësia, incluindo os Urgals. Ele continua determinado, e luta com paixão para defender sua família e a liberdade. E mantenho que ele é melhor guerreiro que Eragon. Em boa parte do livro, ele fica sem as proteções que Eragon lança sobre ele, e consegue se manter em pé. Eu diria que isso requer muito mais coragem. Me decepcionei um pouco porque o que eu queria para ele não aconteceu, o que eu achei que foi uma falha da parte de Christopher Paolini. Mas ainda assim, Roran é O cara (um dos. Daqui a pouco falo do outro, se você ainda não adivinhou). E uma coisa que gosto em Roran é que ele é um guerreiro implacável, mas é super carinhoso com Katrina, e, nas palavras de Arya em certa altura, só é rude com quem não sabe tratar com ele (ponto para ela!).

E um dos que não sabem tratar com ele (e para quem Arya dirige as palavras) é o Rei Orrin. Esse cara apareceu pela primeira vez em Eldest, mas eu não achei que valia a pena mencionar o sujeito. Por que agora então? Porque ele sofreu uma mudança radical. No começo, ele não passava de um rei jovem e mimado, e totalmente alienado de tudo. Só o que ele quer fazer é se dedicar aos estudos de filosofia e algo que acho que deve ser parecido com a alquimia. Estava mais para bobo-da-corte do que para rei. Ele governa Surda, e é com ajuda (financeira e de homens) dele que os Varden conseguem invadir o Império. Só que já na primeira aparição dele neste livro, o cara está totalmente diferente: amargurado e sombrio, já não está alienado e tem até uma certa sede de sangue. Só que pelo que parece, o cara tem mais apreço pelo vinho, e acaba dizendo umas besteiras. Ele continua um idiota, mas agora é um idiota perigoso, até certo ponto ambicioso, e que pode colocar tudo a perder. E por isso acaba se chocando com Roran, que não tolera a estupidez do almofadinha e não tem medo de enfrentar o filhinho de papai.

Outra que entra em choque com ele é Nasuada. Ela ainda tem umas atitudes meio autoritárias, mas ela vai passar por maus bocados neste, o que vai forçá-la a reavaliar muitas coisas, incluindo antigos sentimentos que pareciam ter morrido quando Murtagh foi capturado e escravizado por Galbatorix. (SPOILER!) Sim, ela passa boa parte do livro com Murtagh, mas esses momentos não são nada fáceis. E tenho que admitir, a mulher é forte. (SPOILER!) Ela é torturada por ninguém menos que Galbatorix, mas segura a barra muito bem. Claro que ela não faz isso sozinha (se você ainda não adivinhou, já falo quem ajuda), mas mesmo assim, essa parte está descrita com detalhes, e é de arrepiar. É realmente de admirar que ela não tenha sucumbido. Ela subiu no meu conceito.

Bom, chegou a vez do outro “cara” do livro. Murtagh, claro. E sim, (SPOILER!) é ele quem ajuda Nasuada. Mas ele tem que fazer as coisas na surdina, para que Galbatorix não desconfie. Falando em Galbatorix, o cara é um sádico de primeira. Ele sabe dos sentimentos de Murtagh por Nasuada (e não tenha dúvidas, ele realmente a ama. E muito) e por isso mesmo, ele obriga o pobre Murtagh a ser o torturador (e torturado, porque ele sofre junto). Dá dó. Dá para perceber que se ele pudesse, trocaria de lugar com ela. Ele se odeia por isso. Mas é esse amor que vai ser a sua salvação. Como ele próprio admite, agora ele luta não por ele, mas por outra pessoa.  Em nenhum momento ele diz que a ama, mas está na cara. E ele, como Roran, não mede as ações quando se trata de defender Nasuada. (SPOILER!) E quando Nasuada pergunta porque ele faz isso, ele só diz “You know why”. Gostei disso, não ficou meloso, e combina com a personalidade dele. Ele continua o melhor personagem do livro, e é uma pena que este seja o último (será? Nos agradecimentos Christopher Paolini deixa a entender que vai voltar para Alagaësia e com os mesmos personagens. Espero que sim, e que Murtagh ganhe o merecido destaque) porque eu queria muito ver como a história de Murtagh e Nasuada continua.

Se eu já gostava de Angela nos anteriores, neste eu passei a gostar ainda mais. Ela tem mais destaque, e parte para a luta. E surpreende. Continua com a língua afiada, insultando quem quer que seja, e, como Sandra Bullock, agora ela está armada e fabulosa. Ela é outra que eu gostaria muito de acompanhar no futuro.

Elva, depois que é “curada” por Eragon, dá uma desaparecida. Mas ela retorna, e ainda que Eragon tenha removido parte da maldição (ela ainda sente a agonia dos outros, mas não tem mais a compulsão de impedir que eles sofram, o que a permite que os ignore. E ela ainda tem um estranho poder de persuasão e ainda consegue prever o futuro. Por isso, ela ainda é uma arma valiosa. E uma coisa ela não perdeu: ela, como Angela, mantem sua língua afiada, e não hesita em soltar seu veneno em quer que seja (só que seu alvo favorito é Eragon, o que eu acho show de bola).

(SPOILER!) Uma coisa me incomodou um bocado. E acho que também vai afetar quem for ler e está ansioso para conhecer o novo dragão. O tal só vai aparecer no final e ainda vai para quem não deveria. Não gostei da escolha, mas enfim, fazer o quê? E ele decepcionou também pelo temperamento. Nada comparado a Thorn ou mesmo Saphira. Christopher Paolini poderia ter surpreendido, mas ficou com o mais óbvio. Mas, de novo, quem sabe ele compensa em um outro livro?

E falando nisso, apesar de ter fechado todos os buraquinhos da trama, ele abriu novos, o que dá margem para pelo menos mais um livro (vamos manter os dedinhos cruzados!). E, como nos outros, o autor mostra amadurecimento nesta conclusão. Inheritance é tão denso (se não mais) quanto Brisingr, e agora posso dizer que este se tornou o meu favorito. Lealdades são testadas, sentimentos entram em conflito e o clima é mais sombrio. Com certeza o melhor da saga. Ah! E não traduzi o nome do livro lá em cima, na sinopse, porque não tenho certeza se a editora aqui vai traduzir. Em uma nota pessoal, eu não traduziria, porque todos os livros da saga têm um nome diferente (às vezes difíceis de pronunciar), e com a tradução isso se quebra. Eu, como disse, deixaria como está e colocaria uma nota de tradução no final.

Trilha sonora

Essa é extensa. Para começar, Best of you, do Foo Fighters. Ainda cai muito bem para Murtagh, e agora a resposta dele (were you born to resist or be abused) é à altura. E também perfeita para ele e Nasuada, Blind as a bat, do Meat Loaf:

Your love is blind, blind as a bat
The way that you're leading me home like that
Your love is blind, blind as bat

Esse é só o refrão, mas tem mais coisa que se aplica. Veja a letra. Também Save me, do Hanson. É, tenho vergonha disso, mas adoro essa música (a única) e depois ela cai direitinho para os dois. Ainda para eles, a fofíssima (e com o vocalista supergato, e com uma voz maravilhosa) When you say nothing at all, do Ronan Keating (ex-Boyzone. E pensar que quando eu fui para Portugal, eles estavam numa loja e eu passando na rua, não entrei para ver esse monumento…).Também Set fire to the rain, da Adele (there’s a side to you that I never knew). E finalmente I'll stand by you, do Pretenders (amo essa música).

E tem mais uma que é perfeita para os dois. Quem lembrou foi o Alexandre, que comentou o post (Obrigada Alê!). Como fazia tempo que eu não escutava essa música eu tinha esquecido dela. E é outra que parece que foi escrita para Murtagh e Nasuada neste livro. A música é The reason, do Hoobastank (que eu adoro, aliás). Olha só esse trecho:

I'm sorry that I hurt you
It's something I must live with everyday
And all the pain I put you through
I wish that I could take it all away
And be the one who catches all your tears
That's why I need you to hear

I've found out a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
And the reason is you

De modo mais geral, começo com Run to the water, do Live (uma das minhas bandas, e músicas, favoritas. Pena que o Live acabou), The space between, do Dave Matthews Band (se bem, que essa tá mais pra Murtagh/Nasuada…), Save me, do Remy Zero, What I've done, do Linkin Park, Broken, com Seether e Amy Lee e para terminar It is what it is e Whatever it takes, do meu querido Lifehouse.

Se você gostou de Inheritance, pode gostar também de:

  • As Crônicas do Gelo e do Fogo – George R. R. Martin;
  • coleção Harry Potter – J. K. Rowling;
  • As Crônicas de Nárnia – C. S. Lewis;
  • O Senhor dos Anéis – J. R. R. Tolkien;
  • As Crônicas de Artur – Bernard Cornwell;
  • As Brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley.

sábado, 26 de novembro de 2011

Brisingr – Christopher Paolini

 

Brisingr Em Brisingr, Eragon e seu dragão, Saphira, conseguiram sobreviver à batalha colossal na Campina Ardente contra os guerreiros do Império. No entanto, Cavaleiro e dragão ainda terão de se deparar com inúmeros desafios. Eragon se vê envolvido numa série de promessas que talvez não consiga cumprir, como o juramento a seu primo, Roran, de ajudá-lo a resgatar sua amada Katrina das garras de Galbatorix. Todavia, Eragon deve lealdade a outros também. Os Varden precisam desesperadamente de sua habilidade e força, assim como elfos e anões. Com a crescente inquietação dos rebeldes e a iminência da batalha, Eragon terá de fazer escolhas que o levarão a atravessar o Império, viajando muito além. Escolhas que poderão submetê-lo a sacrifícios inimagináveis? Conseguirá o jovem unir as forças rebeldes e derrotar o Império?

ATENÇÃO! SPOILERS SE VOCÊ NÃO LEU NENHUM LIVRO DO CICLO A HERANÇA!

Se Eldest já mostrava um crescimento de Christopher Paolini como autor, em Brisingr a história ganha autonomia. É o grito de independência. Claro que as referências a outras sagas ainda está lá, mas já são mais fracas. E este, por enquanto, é o meu favorito, e o melhor (digo mais quando terminar Inheritance). Brisingr começa umas três semanas depois do final de Eldest. E traz o desafio para Eragon de cumprir (ou pelo menos tentar) todas as promessas que fez nos anteriores. E não são poucas. Aliás, nisso ele é bem parecido com o Artur de Bernard Cornwell: não se sente muito à vontade prometendo lealdade a torto e a direito, mas faz um juramento atrás do outro.

Uma dessas promessas é a de ajudar Roran a libertar Katrina do domínio dos Ra’zac. Então logo de cara, já damos com os dois prestes a invadir a fortaleza dos homens-inseto. (SPOILER!) Nem preciso dizer qual o resultado, né? E mais uma vez Roran se prova um guerreiro de primeira. Katrina diz mais tarde que ele é melhor soldado que Eragon, e tenho que concordar. O cara faz tudo sem a ajuda de magia (fora os feitiços de proteção que seu primo coloca sobre ele). Repito: acho que seu destino é muito maior que ser um simples fazendeiro. Afinal não podemos esquecer que ele compartilha um pouco do sangue de Eragon e Murtagh (já já essa declaração vai ficar mais clara, caso você não tenha lido o livro nem a resenha de Eldest), já que a mãe de Eragon é irmã do pai de Roran. E esse destaque vai lhe render uma posição mais privilegiada nos Varden. Só que ele pena um pouco até que Nasuada dê o devido valor a Roran (explico melhor daqui a pouco). E Roran também cresceu desde o começo de Eldest. Ele sabe que o futuro de sua terra e de sua família depende a vitória contra Galbatorix, e luta com paixão contra o Império. Isso faz dele um guerreiro eficiente e motivado e faz o que for necessário para assegurar a liberdade. E assume a responsabilidade por seus atos também. Além disso, ele também é inteligente (mais que Eragon, por exemplo) e consegue tudo com astúcia e muita lábia. Ele até mesmo conquista o respeito dos Urgals, coisa difícil.

E já que mencionei Katrina, deixa eu falar um pouquinho dela. Ela é uma mulher forte e, como Roran, luta com unhas e dentes pela sua família. Ela passou um bom tempo em poder dos Ra’zac, mas não fraquejou em momento nenhum. E ela sabe esconder seu sofrimento muito bem. Enfrenta tudo com dignidade e já não é mais a moça bobinha de antes. Mas tudo isso sem perder a meiguice ou a simplicidade.

E como também falei de Nasuada, vamos lá. Neste, muito mais que em Eldest, ela tem que lidar com o fardo de liderar o exército Varden. E bem já dizia Tio Ben para Peter Parker: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. E mais uma coisinha que ele deixou de fora: o poder inebria e pode cegar. Ela ainda não chegou a esse ponto, mas acaba tomando algumas atitudes a meu ver muito ditatoriais. Tudo bem, ela pensa primeiro no bem dos Varden, e ela não pode beneficiar alguns em favor de muitos, mas mesmo assim, não justifica algumas de suas atitudes. Uma delas é o medo de perder o poder. Sim, e quem ela teme é justamente Roran. A popularidade e o dom de convencer as pessoas de Roran a incomodam, e assim ela deliberadamente o coloca em posições que ela sabe que não são à altura dele. Ainda admiro sua força, mas às vezes ela me irrita. Ela se tornou um tanto arrogante e adquiriu o péssimo hábito de olhar as pessoas do alto, até com certo desprezo.

Eragon está ainda mais maduro e se vê as voltas com suas promessas. Além de ter que lidar com o declaração final de Murtagh em Eldest (volto nela mais para a frente) que eles são irmãos, e que ele seria filho de Morzan também. Ele se atormenta com isso. E agora quer provar que não é nada igual a seu “pai”.

E Saphira também ganha dois capítulos com a sua perspectiva. E na verdade eles só fizeram eu me irritar com ela. Além do jeito irritante-cheio-de-hifens-como-os-dragões-pensam, ela se acha muito. Para ter uma ideia da petulância da criatura, ela se auto-intitula a Rainha dos Céus (ou qualquer porcaria do gênero). Menos, né, filha. Glaedr ainda é mais velho que você e ainda tem Thorn a ser levado em consideração.

E falando em Thorn, agora sim eu posso falar de Murtagh. E tem coisa pra dizer…Bom, como todo mundo já sabe, Murtagh é filho de Morzan, o último e mais cruel dos Renegados. Mas ele detesta o pai, e com razão. Sua infância não foi nada fácil sofrendo um abuso atrás do outro de seu querido papi, e, depois de sua morte, de quem quer que se encarregasse dele. Quando ele finalmente se livra do domínio de Galbatorix, tem que enfrentar a desconfiança de todos, simplesmente por ser filho de quem é (como se a culpa fosse dele). Em suma, ele é um pária, nunca realmente pertenceu a lugar nenhum. Até que chegou com Eragon em Farthen Dûr, onde após enfrentar a desconfiaça, ganha um lugar de certo prestígio. Só para ser capturado pelos Gêmeos e servir de marionete (literalmente) de Galbatorix. Ele não quer ser o que é, mas não tem alternativa, já que foi escravizado junto com Thorn por Galbatorix. Ao mesmo tempo, ele sente certa satisfação em ser Cavaleiro, ainda que do lado errado. E é compreensível: ele simplesmente pegou a oportunidade para retornar a mesma cortesia a um mundo que nunca lhe deu nada (payback is a bitch). Como disse uma vez minha ex-professora de IEC, ele é um dos personagens mais trágicos que eu já vi. E não estou exagerando. Murtagh é um cara decente, mas filho do pai errado e cresceu no meio errado. Seu destino só poderia mesmo ser trágico (o destino é inexorável, já dizia Merlin). Mas ainda sustento que ele vai se redimir. E, apesar das restrições, ele ainda tem força suficiente para encontrar meios de se revoltar. Ele acaba ajudando Eragon em certo sentido, e PEDE para ser ajudado. E nas sábias palavras de Dumbledore, isso faz TODA a diferença. E uma coisa que eu acho legal é que Eragon sabe de tudo isso. Ele não tem os pré-conceitos de Harry, por exemplo (em relação a Snape e a Malfoy).

E lembra que eu disse que me incomodava o nome Eldest? Pois bem, eu disse que essa palavra quer dizer “mais velho”. Eu achava que se tratava de Oromis e Glaedr, ainda que a capa do livro seja Thorn (o que não quer dizer muita coisa, já que o nome deste se refere à espada de Eragon, mas a capa é justamente Glaedr). Na verdade, “eldest” quer dizer filho ou irmão mais velho. E quando Murtagh revela que Eragon é seu irmão e toma Zar’roc, a velha espada de Morzan, ele fala: “It should go to the ELDEST son” (ela deveria ir para o filho mais velho). Certo, quem traduziu nem podia mesmo traduzir de modo diferente, mas uma notinha de rodapé com uma explicaçãozinha era muito bem-vinda, não? Sim, repito, me senti muito estúpida por não ter pensado nisso antes, mas como já disse, se você manja de inglês, leia no original. A tradução está de matar. E outro preciosismo idiota que deixaram, que quem me lembrou foi o meu amigo Nerito, do blog O Guardião, é a repetição da palavra “vendeta”. No original, essa palavra (que existe em inglês, mas com dois t’s) só aparece no terceiro e se refere à rixa de Roran com Birgit (que é mesmo a tradução mais apropriada da palavra). Em Eldest, aparece mesmo “revenge”, e até faz sentido, porque tanto Eragon, mas principalmente Roran são movidos pela vingança (e se você estiver se perguntando: E quanto a V de Vingança? V for Vendetta, no título original em inglês. Quem assistiu o filme, sabe que o tal do filme não exatamente planeja vingança). E pessoalmente acho “vingança” mais forte mesmo.

Só para não dizerem que eu não falei da Arya, ela aparece também, mas do mesmo jeito reservado e meio superior. Mas até ela mostra alguma reação a certa altura (não vou dizer quando para não entregar o ouro). E outros elfos aparecem, a meu ver igualmente irritantes, sendo que o pior deles é Blödhgarm, um ser estranho com aparência de um gato selvagem em duas pernas, mas que de alguma forma consegue atrair toda a mulherada dos Varden (fala sério! Eu adoro gatos, mas isso é ir longe demais). Ele faz parte da guarda pessoal de Eragon (HA! Diz aí, Katrina não tem razão?), além de acumular o posto de mago, sob o comando do Cavaleiro. Só uma coisa me agrada nesses elfos. Ao contrário dos indiferentes e sempre deprimidos elfos de O Senhor dos Anéis, os do Ciclo A Herança sabem muito bem que devem lutar pelo seu mundo, e partem para o ataque, ao invés de fugir pelos Portos Cinzentos (para você que só assistiu os filmes, nos livros, ele não ajudam o exército do Rei Théoden no Forte da Trombeta. Só fazem lamentar e choramingar. Adoro OSDA, mas eles são um porre. Já disse, só Legolas se salva).

Quase me esqueço de Angela. Ela quase não aparece, mas quando o faz, sempre é um bom trecho. Ela continua bocuda, falando o que lhe dá na cachola, e com atitudes esquisitas. Acho que ela é a personagem mais humana da saga (talvez por ter sido inspirada na irmã de Christopher Paolini). E Solembum infelizmente, não dá as caras (tudo bem, vá. Ele é gato, tem vontade própria).

Com tudo isso, acho que Brisingr é mais intenso que os outros dois. Agora é guerra mesmo, ninguém está livre disso. E esse fato pesa sobre todos. E neste, Galbatorix está mais real. Ele ainda não dá as caras diretamente, mas está de algum modo mais presente. E o clima de medo gerado por ele e reforçado por Murtagh e Thorn levam os personagens a reflexões mais profundas. Lealdades são testadas, o que leva ao choque de forças que podem decidir o futuro de toda a Alagäesia. Christopher Paolini soube deixar uma boa base para o desfecho da saga.

Trilha sonora

The monster's loose, do Meat Loaf, que eu mencionei no post de Eldest e não disse para quem é para Murtagh. Não acho que ele é um monstro, mas fora esse detalhe, a música parece que foi feita para ele:

I've lived my life in a cage
Freedom spits in my face
It was such a disgrace
And I was lonely
Burned down and empty
Desperate

I had my head in a noose
I had nothing to lose
Had enough of abuse
So now I'm dangerous
Hate is so contagious
It owns us

I'm angry (I'm angry)
I'm raging (I'm raging)
I'm breaking through the pain

E esse trecho é só o começo da música. Ela é toda Murtagh. E como ele é um personagem especial, ganha mais uma música. Nada menos que Best of you, do Foo Fighters e uma das minhas preferidas (Were you born to resist or be abused?). De novo, parece que foi feita para Murtagh. E ainda do Foo Fighters, The Pretender.

Também Bring me to life, do Evanescence, This is war, do 30 seconds to Mars, We are, da Ana Johnson:

It's all about power, about taking control
Breaking the will ,and raping the soul
They suck us dry 'til there's nothing left
My oh my My oh my

 

Everything burs, Anastasia ft. Ben Moody, Good enough, do Lifehouse, e, uma que eu acho que define Angela é Kate, do Ben Folds Five. Confira a letra aqui.

Se você gostou de Brisingr, pode gostar também de:

  • A Crônicas do Gelo e do Fogo – George R. R. Martin;
  • O Senhor dso Anéis – J. R. R. Tolkien;
  • coleção Harry Potter – J. K. Rowling;
  • As Crônicas de Artur – Bernard Cornwell;
  • As Crônicas de Nárnia – C. S. Lewis.

sábado, 12 de novembro de 2011

Eldest – Christopher Paolini

 

eldest Eldest acompanha o amadurecimento do jovem guerreiro protagonista da história. A narrativa começa três dias após a cruel batalha travada por Eragon para libertar o Império das forças do mal. O Cavaleiro de Dragões se vê envolvido em novas e emocionantes aventuras. Em busca de um tal Togira Ikonoka, O Imperfeito que é Perfeito, que supostamente possui as respostas para todas as suas perguntas, Eragon parte, junto com Saphira, o dragão azul que o acompanha desde o início da aventura, para Ellesméra, a terra onde vivem os elfos. Lá, eles pretendem aprender os segredos da magia, da esgrima e aperfeiçoar o seu domínio da língua antiga.

ATENÇÃO! SPOILERS SE VOCÊ NÃO LEU ERAGON!

Confesso que da primeira vez que eu li Eldest não gostei muito do livro. Não porque seja mais fraco que Eragon. Muito pelo contrário. Na verdade neste dá para notar um amadurecimento de Christopher Paolini como autor e a história ganha mais autonomia em relação às outras obras em que se baseia (lembra que eu falei que ele fica meio preso em Eragon?). Ainda dá para perceber claramente as influências de Star Wars e O Senhor dos Anéis, mas já ganha certa independência. A razão é outra, que vou explicar já, já.

Como diz na sinopse aí em cima, Eldest começa três dias depois da Batalha de Farthen Dûr, quando Eragon consegue derrotar Durza. Mas a grande vitória tem seu preço. Ele foi brutalmente ferido pelo espectro, e a ferida deixa sequelas terríveis. Mesmo assim, é obrigação de Eragon partir para Ellesméra para iniciar seu treinamento como Cavaleiro (alguém aí viu o mestre Yoda?) junto aos elfos. E taí. a razão para meu desgosto. Acho essa parte meio sacal. Hoje até menos que antes, mas ainda é meio chato (isso se deve aos elfos, que são uma raça cheia de frescuras e se acham a oitava maravilha do mundo).

Em Ellesméra, Eragon finalmente descobre quem é o tal Togira Ikonoka, o Aleijado que é Inteiro, o ser que se infiltra nos pensamentos de Eragon enquanto ele está à beira da morte em Farthen Dûr, e que dá o impulso para que Eragon se recupere. A identidade do tal ser é um segredo guardado a sete chaves pelos elfos. Ele é o único remanescente dos Cavaleiros originais e também vem à tona a existência de outro dragão. A dupla é Oromis, o elfo que sofre de uma enfermidade incurável, e Glaedr, o dragão que também tem uma deficiência. Mas isso não tira seus méritos e ambos são tutores exigentes, mas não sem compaixão. Ambos também são sábios, com aquele tipo de sabedoria acompanhada da serenidade que vem com a idade. E isso eles tem de sobra.

Também na capital dos elfos, Eragon descobre que Arya é na verdade uma princesa e assim outra parte da profecia feita por Angela se concretiza (a outra parte foi sobre a morte de Brom, mas eu não podia mencionar isso no post sobre Eragon), de que Eragon se apaixonaria por alguém da nobreza. E para minha infelicidade , neste, já curada, ela tem grande participação. Arya, como todos os elfos (com exceção de Legolas e Dobby, mas este último é um elfo doméstico, outra categoria, não conta), tem complexo de superioridade  e a condescendência com que trata Eragon (em óbvia negação aos seus sentimentos) é irritante. E cruel, porque uma hora a moça dá corda, só para mais tarde rejeitar o garoto. Eragon pode até ser chato, mas não merece isso. Tudo bem, Arya é uma guerreira (como sua xará Stark), o que é bem legal, mas nem por isso deixa de ser pentelha.

Ainda acompanhando Eragon em Ellesméra está Orik, o anão do clã mais importante. Seu objetivo é supervisionar o treinamento de Eragon, já que este agora faz parte do clã. Orik é sempre bem-humorado e aprecia a boa vida. Gosto dele. Mas também é inteligente e não se esquece de suas responsabilidades. Também é fiel e está sempre pronto para oferecer sua ajuda.

Lembra que eu falei também que Christopher Paolini deixou os personagens mais legais para os livros seguintes? É o caso de Roran. Ele é primo de Eragon, e depois da fuga dele e Saphira, Roran retorna a Carvahall para encontrar seu pai assassinado e seu primo foi embora. Só o que resta a Roran é Katrina, com quem pretende se casar. Mas por causa de Eragon, os Ra’zac não dão paz aos habitantes do vilarejo, e, sabendo que Roran é parente do jovem Cavaleiro, tentam capturá-lo. Só que Roran se esconde na Espinha e os aldeões se recusam a entregá-lo. Mais ou menos. Sloan, o pai de Katrina, detesta toda a família de Roran (não que isso seja impedimento para ele ou para ela), e trai tanto Roran como os outros habitantes do local. O custo disso é a captura de Katrina.

Movido pelo desejo de vingança e por seu amor pela garota, Roran convence todo o vilarejo a deixar Carvahall, atravessando a Espinha, até chegar aos Varden, em Surda. É uma empreitada difícil e tresloucada, mas ninguém (ou quase) pensa duas vezes e assim Roran se torna o líder do povoado. E ele é um líder nato. É determinado e faz tudo com paixão. E também é um guerreiro formidável. Sua arma de escolha é um martelo, que ele maneja como ninguém. Admito que da primeira vez que li, não gostava muito dele, mas isso mudou. Muito. Hoje adoro Roran, e acho ele um personagem muito mais legal que Eragon. E acho que coisas extraordinárias o aguardam. Posso estar enganada, mas acho que seu destino é ser Cavaleiro. Estou superansiosa para ler o último e ver se acertei na previsão.

A segunda personagem que eu mais gosto é Elva. Ela é um bebê que Eragon e Saphira abençoam no final do primeiro livro. Mas devido a um erro, a bênção vira uma maldição. Elva cresce rapidamente: de bebê no final do primeiro, passa a uma menina de uns quatro anos no segundo, mas com voz de adulta e um ar de permanente escárnio. Ela sofre muito, pois ela sente tudo de mal que vai acontecer aos outros e serve de escudo. E quando falo de mal, digo mal mesmo: ela sente quando alguém vai se matar ou vai ser assassinado e custa muito caro a ela ignorar o impulso de se ferir no lugar da vítima. Adoro Elva. Enquanto todo mundo lambe o chão onde Eragon pisa, ela debocha abertamente dele. Não tem papas na língua e é mais sarcástica que Dr Gregory House (isso é dizer um bocado, hem!). Por causa de seu “dom”, ela serve de ferramenta para os Varden, ou melhor, para sua líder.

Depois da morte de Ajihad (logo no começo deste livro), quem assume o posto é sua filha, Nasuada. Ela é uma líder tão talentosa quanto seu pai, apesar da pouca idade. é perspicaz e pode ser implacável. E é inteligente também. Ela descobre um jeito de tirar os Varden do vermelho e ainda sai lucrando, de um modo simples. E também é uma excelente estrategista. E tem o dom de debochar dos outros, especialmente o príncipe Orrin, governante de Surda, com classe e sem que o debochado perceba. Ela também não é mimada e ao contrário de muitos líderes, ela parte para a luta, correndo o mesmo risco que seus seguidores. E ela tem uma paixão secreta por um certo personagem misterioso e muito charmoso. Já sacou quem é?

A esta altura você deve estar pensando que esqueci meu personagem preferido, certo? Nunca! Mas, como desgraça é pouca é bobagem quando se trata de Murtagh…Logo no começo, quando Ajihad é assassinado, ele é capturado pelos Urgals e dado como morto, justamente quando todo mundo começava a confiar nele, apesar de ser filho da revelação de ser filho de Morzan, o primeiro e último Renegado. Só para voltar mais tarde com uma revelação bombástica, que não vou discutir agora. E, caso ainda não esteja claro, era dele que eu estava falando aí em cima. E ou eu muito me engano, mas arrisco dizer que Nasuada é correspondida.

Outro personagem interessante que aparece neste é Jeod. Na verdade, ele aparece no primeiro e ajuda Eragon e Brom em Teirm. Mas ele ganha mais destaque neste, ajudando Roran a chegar a Surda. E agora a gente sabe que ele é na verdade um agente dos Varden e que foi ele que ajudou Brom a roubar o ovo de Saphira. É um homem inteligente e que anseia retornar à ativa. Por isso, quando descobre a verdadeira identidade de Roran, não pensa duas vezes em oferecer ajuda.

Angela e Solembum também aparecem. E, como Elva, Angela é a outra única personagem que não hesita em chamar Eragon de abestalhado em vez de puxar o saco. Desta vez ela fica encarregada de cuidar de Elva e também vai ter papel importante na batalha contra o exército de Galbatorix.

Outra coisa legal neste é que pela primeira vez a narrativa é dividida, ora sob a perspectiva de Eragon, ora pela de Roran e ora pela de Nasuada. A história ficou mais complexa e com mais camadas. Como eu disse antes, amadurecimento do autor. Os personagens também evoluíram, especialmente Eragon. Ele nem lembra o garoto que um dia achou um pedra esquisita um dia. E adianto que as coisas só melhoram daqui por diante. E de novo fica aquela recomendação: se você manda bem no inglês, leia no original. A tradução, especialmente deste, deixa muito a desejar. E tem uma pegadinha com o nome do livro (que sempre me incomodou)  que eu só percebi agora que li em inglês. Esclarecendo: eldest quer dizer mais velho. Na verdade é mais específico que isso, mas tenho medo de entregar o ouro muito cedo se der a tradução literal. Mas guardem esta informação, que vou retomar na resenha de Brisingr (que sai logo, logo).Ah, sim! Me senti muito burra por só perceber o significado agora.

Trilha sonora

Wunderkind, da Alanis Morissette, é de Nárnia, mas com algumas adaptações, poderia se referir a Alagaësia. Por outro lado, Crawling, do Linkin Park não precisa de ajuste nenhum. É perfeita. Ainda Pale, do Within Temptation e Changes, de Butterfly Boucher com David Bowie (na verdade a música é dele), e que vem da trilha de Shrek 2 (que eu amo!). E por último The moster's loose, do Meat Loaf. Essa música é perfeita para um certo personagem, mas não vou dizer quem ainda. esperem pela resenha de Brisingr!

Se você gostou de Eldest, pode gostar também de:

  • Brisingr – Christopher Paolini;
  • As Crônicas do Gelo e do Fogo – George R. R. Martin;
  • coleção Harry Potter – J. K. Rowling;
  • O Senhor dos Anéis – j. R. R. Tolkien;
  • As Crônicas de Nárnia – C. S. Lewis.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Eragon – Christopher Paolini

 

eragon Eragon é o romance de estreia de Christopher Paolini, uma história repleta de ação, perigosos vilões e locais fantásticos. Com dragões e elfos, cavaleiros, lutas de espadas, inesperadas revelações e, claro, uma linda donzela que é muito bem capaz de cuidar de si própria. O protagonista, de quinze anos, é um pacato rapaz do campo, que ao encontrar na floresta uma pedra azul polida, se vê da noite para o dia no meio de uma disputa pelo poder do Império, na qual ele é peça principal.

 

Começo a resenha de hoje com um pedido. Não julguem Eragon pelo que fizeram quando tentaram adaptar o livro para o cinema (falo do filme daqui a pouco, como sempre, depois da resenha). Tendo dito isto, vamos lá.

Já li esse livro umas quatro vezes, então, apesar de haver bastante polêmica em torno dele, já dá pra sacar que eu adoro. Li pela primeira vez logo antes de ir ver no cinema, e não conseguia largar. E foi do mesmo jeito todas as vezes que eu li. Pego e não consigo parar.

Agora você deve estar de perguntando sobre a tal polêmica envolvendo o livro. Bom, acontece que ele tem muitas influência de O Senhor dos Anéis e de Star Wars. O que se explica. Christopher Paolini queria fazer um homenagem aos gêneros que gostava, e o resultado foi Eragon. E os fãs mais puristas das duas sagas não gostam das comparações. Mas, já me ensinava a professora Elaine no curso de IEC ano passado na faculdade: a “cópia” é uma forma de homenagem sim. E depois, se a goddess Rowling fez o mesmo (ou será que alguém aí ainda acha que Harry Potter não tem nada a ver com OSDA? Rowling nem faz segredo disso. Fala pra todo mundo que foi influenciada por Tolkien mesmo!), por que ele não pode? É clara a influência de Tolkien, e arrisco mesmo a dizer de George Martin (de onde será que veio o nome Arya?), mas pelo menos para mim, isso não é problema nenhum. E depois, como já disse antes, nada se cria, tudo se copia. E, pelo menos para George Martin, isso também não é problema. Confira neste podcast com ambos os autores, que está na página oficial da saga: Alagaesia.

Depois dessa digressão imensa, vamos ao que interessa. Eragon é um garoto normal de quinze anos, que vive com seu tio e seu primo num vilarejo vem afastado do centro do império de Alagaësia. Isso até que ele encontra uma  misteriosa pedra quando estava caçando. Como sua família é pobre, Eragon leva a tal pedra para casa, acreditando que talvez possa vendê-la e conseguir algum dinheiro com isso. O que ele não sabe é que a tal pedra é na verdade o ovo de um dragão, e a partir daí sua vida nunca mais será a mesma, pois agora ele se tornou um dos lendários Cavaleiros de Dragão, um ordem uma vez poderosa, mas que foi dizimada pelo malvado rei Galbatorix e pelos Renegados, cavaleiros que foram para o lado negro da força, liderados por Morzan. Com o império em seu encalço, agora Eragon tem que fugir de tudo que conhece e embarca em uma aventura fantástica.

Eragon é um jovem humilde e até arrisco a dizer simplório. Não é de todo burro (também não acho ele dos mais inteligentes, mas isso fica para a resenha dos próximos, que aí acho que posso explicar melhor). Como todo adolescente, é impulsivo e age antes de pensar. Por isso acaba cometendo umas burrices. Mas, ele aos poucos compreende o que é ser um cavaleiro, e busca uma forma de mudar um mundo cheio de injustiças e desmandos. Ele sabe que o fardo de libertar o povo de Alagaësia recai sobre ele, e claro que ele tem medo. Só que ele deixa esse medo de lado e assume a responsabilidade assim mesmo.

Ele não seria cavaleiro, no entanto, sem sua dragão, Saphira. Apesar de jovem, ela é sábia e sempre dá bons conselhos a Eragon. Mas também tem um certo senso de humor, e às vezes até deixa transparecer a sua pouca idade, como quando eles chegam a um lago e ela mergulha e brinca como o meu cachorro numa piscina (acredite, ele gosta tanto que é difícil tirar ele de dentro d’água).

Ainda ajudando Eragon está Brom, que parte com ele de Carvahall, seu povoado. Brom é velho, e sábio, e ensina Eragon a lutar e muito mais. Só que Brom guarda um segredo que só vai ser revelado mais tarde, e eu não vou entregar o ouro (ainda. Talvez só nas resenhas de Eldest e Brisingr). E o velhote é bem conectado, conhece muita gente  e sabe muito sobre o Império. Mas não espere um mestre como Dumbledore. Brom é mais duro, e puxa Eragon ao máximo.

No meio do caminho, ele encontra também Murtagh, um jovem misterioso. Murtagh é meu personagem preferido de toda a saga, e isso deve dizer alguma coisa. É um sobrevivente (guardem esta informação para mais tarde. Ela vai ser muito importante no futuro), e faz o que for necessário para se manter vivo. Preza acima de tudo sua independência e sua privacidade, mas ele tem motivos de sobra para isso. Mas ele faz a diferença em momentos críticos, por isso é bom tê-lo a seu lado. Não quero me prolongar muito nele, porque senão vou acabar revelando algo (já li os três, então não quero dar spoilers antes que seja necessário). Basta o que já disse: ele é o meu preferido, e para mim, o melhor personagem da saga (só para esclarecer, nem sempre o meu preferido é o melhor. Como os Gêmeos Weasley: são meus preferidos, mas o melhor é Snape, sem sombra de dúvida).

E falando em sombra, esse é um dos inimigos atrás de Eragon. Durza, o nome verdadeiro da Sombra, é um mago poderoso, que conta com a ajuda dos espíritos para realizar sua magia. É inescrupuloso e impiedoso. É aliado de Galbatorix, mas na verdade tem seus próprios objetivos. E ele é daqueles que mexem com a cabeça dos outros (literalmente), o que faz dele um inimigo poderoso.

Mas talvez o pior são os Ra’zac que caçam Eragon. São eles que chegam em Carvahall e forçam o garoto a fugir com Brom. Eles não são humanos, mas sim algum tipo de ave, e são apavorantes. Eles lembram os Nazgul de OSDA (não disse que a influência era forte?) e são incansáveis e implacáveis. Eles vão voltar com mais força nos próximos.

Ainda quero destacar a herbolária Angela e seu bichinho de estimação, que é muito interessante, diga-se de passagem. Trata-se de Solembum, um menino-gato. Quer dizer, ele é um metamorfo, que pode assumir tanto a forma de um gato como a de um menino. É um ser furtivo, mas quando gosta de alguém, se mostra e até, em ocasiões muito especiais, oferece seus conselhos. E, segundo sua dona, é bom dar ouvidos, porque essas ocasiões são raras. E Angela é também uma personagem fantástica. Ela é minha segunda favorita, é meio atrapalhada, mas gosta de estar no centro dos acontecimentos. Ela sabe muito mais do que aparenta, e, como no caso de seu gato, seus conselhos também são valiosos. Ela dá uma certa leveza á saga. Pena que neste não aparece muito.

Aliás, esse é um problema deste livro. Como é o primeiro, muitos personagens bem interessantes não aparecem muito, só mais tarde. Então não dá para falar muita coisa sobre eles. Como por exemplo a elfa Arya. Ela passa boa parte do livro inconsciente, só aparece mais no final. Eu até sei algumas coisas sobre ela porque já li os três, mas não dá para comentar agora.

Na verdade, o livro, apesar de bom, tem vários probleminhas. A narrativa tem um ritmo bom, dá pra ler bem rápido, mas às vezes parece desconexa. E Christopher Paolini se apóia muito em OSDA e outras sagas. Mas temos que levar em consideração que ele tinha 15 (!) anos quando começou a escrever, e o livro foi publicado quando ele tinha 19. E garanto que nos próximos ele sana essas deficiências. Vale a leitura, principalmente porque ele é o começo de uma saga maravilhosa, que infelizmente está chegando ao final. O quarto e último volume sai agora dia 8 de novembro nos EUA. Ah! Mais uma coisa. Se puder, leia em inglês porque a tradução está horrível (principalmente de Eldest).

Trilha sonora

Somebody else's song, do Lifehouse (não é o máximo eles tocando nas Olimpíadas de Inverno? Só não sei de quando), New Divide, do Linkin Park (amo esse clipe. Acho super bem-feito) Save me, do Remy Zero (o vocalista não parece o Lex Luthor?).

Filme

eragon filme Como eu disse, não cometam o erro de julgar o livro pelo filme. Este é muito ruim. Os roteiristas tomaram muitas liberdades, o que nem sempre é um problema, mas aqui não fazem sentido (fala sério! Por que raios é tão importante se equilibrar no rabo de Saphira?), e tiraram algumas coisas que são importantes no livro. Deram muito destaque a Arya (como eu disse, ela fica a maior parte do livro em coma!) e Galbatorix nem aparece no livro, é só uma ameaça. Tudo bem, eu entendo que ele tinha que aparecer no filme. Mas, mesmo que seu papel seja feito por  John Malkovich, que é um ator excelente, não passa nem perto da ameaça que Galbatorix representa. Os efeitos especiais são lamentáveis, super toscos, mas sem aquele charme de Star Wars (a primeira trilogia), e a história ficou muito fraca e infantil. O elenco até é bom, contando com nomes como Jeremy Irons como Brom (acho que depois que ele deu a voz a Scar em  O Rei Leão, deveria ser Galbatorix), Djimon Hounsou (de Gladiador) como Ajihad (esqueci de falar dele na resenha, mas é que ele é um daqueles que quase não aparece, só no final. Mas é o líder dos Varden, os opositores de Galbatorix, e parece ser um líder justo, porém implacável. E um ótimo estrategista), Garrett Hedlund (o Pátroklo de Tróia) como Murtagh e Rachel Weisz (que eu adoro) na voz de Saphira. Até Joss Stone faz uma participaçãozinha como Angela (mas só tem um fala. Triste.). E Solembum nem aparece! Absurdo! O filme só tem um ponto forte: a fotografia é lindíssima. Mas é só. Pena que nas mãos de um Peter Jackson ele seria um filmaço.

Se você gostou de Eragon, pode gostar também de:

  • O Senhor dos Anéis – J. R. R. Tolkien;
  • coleção Harry Potter – J. K. Rowling;
  • As Crônicas do Gelo e do Fogo – George R. R. Martin;
  • As Crônicas de Nárnia – C. S. Lewis