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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Millennium – Os homens que não amavam as mulheres

 

Millenium- homens que não Um filme que eu estava louca para ver é Millennium – Os homens que não amavam as mulheres (escrevi assim para diferenciar da versão sueca). E o que eu achei? Bom, muito bom. A versão sueca, na minha opinião, ainda é melhor, mais fiel ao livro bem como ao clima da história de Stieg Larsson. A versão sueca é m,ais sombria, mas isso não quer dizer que a versão americana não valha a pena. Vale sim, e muito.

O que é diferente na americana é que deram uma amenizada na violência, mas isso eu até já esperava, pois Hollywood sofre de um falso moralismo patético. Mas não foi só isso. O tom também é mais leve em Hollywood, com umas pitadas de sarcasmo aqui e ali. Não que a gente ria, nem nada, mas pra quem entende elas estão lá. E também isso não é nada que afete a história em si. Que aliás continua a mesma. Este também é bem fiel ao livro.

O que eu achei muito legal foi que a história ainda se passa na Suécia. Tudo que é escrito, como a revista, jornais, noticiários de TV, tudo está escrito em sueco, apesar de o filme ser falado em inglês. E, como no outro, a fotografia é linda também.

blomkvist

O elenco também é excelente, com destaque especial a Daniel Craig, que faz Blomkvist, e Stellan Skarsgard, no papel de Martin Vanger. Rooney Mara também está bem no papel de Lisbeth, e até merece a indicação que recebeu ao Oscar. Mas eu prefiro Noomi Rapace. E a caracterização dela no sueco está melhor também. Um bônus foi ver Goran Visnjic como o chefe de Lisbeth, Dragan Armansky (ai, que saudade do Dr. Kovac de ER…Com um médico desse, eu não saía daquela sala de emergência ;D).

lisbeth

A trilha sonora também é bacana, e a música dos créditos iniciais é muito boa (confira aqui - The girl with the dragon tatoo opening credits), mas eu sinceramente não entendi essa abertura.

Então fica a recomendação: vá assistir, mesmo que você não tenha lido o livro ou assistido a versão sueca (ah! Antes que eu esqueça. A versão sueca está completa, tem a trilogia inteira, mas eu só assisti o primeiro. Louquinha pra ver o resto…), vale a pena. No mínimo, você vai ser presenteado com um ótimo filme.

E mais uma coisinha. Se quiser saber o que eu achei do livros e do outro filme, é só clicar aqui. E aí vai o trailer para você ficar com aquela vontade:

Beijos e até o próximo post!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Os homens que não amavam as mulheres – filme

 

Aproveitei o feriado e consegui alugar Os homens que não amavam as mulheres. Versão sueca, claro, já que a versão hollywoodiana ainda está sendo filmada, mas que eu mal posso esperar pra ver.

Quanto à versão sueca, devo dizer que os fãs da série Millennium não vão ficar desapontados como resultado. O filme é muito bom, e bem condizente com o clima do livro. Mas já aviso, como no livro, tem partes que são bem fortes e nem todo mudo vai conseguir ver.

Claro que algumas coisas ficaram de fora, como era de se esperar, mas o mais importante mesmo, toda a história de Harriet Vanger e seu desaparecimento estão lá. O que foi cortado foi toda a explicação sobre o caso Wennestrom (que eu tenho certeza que eu escrevi errado. Paciência, não sei sueco), o que francamente é a parte mais chata do livro, e que poderia ficar de fora mesmo. Também foi cortado o caso de Blomkvist com Erika Berger (apesar de este ficar insinuado) e Cecilia. Aliás, ele não é tão garanhão no filme como no livro.

E o mais importante: Lisbeth é exatamente como descrita no livro. E Noomi Rapace, a atriz que a interpreta está muito bem no papel (podiam ter escalado ela para repetir o papel em Hollywood). Mas uma notícia ruim para o fãs (spoiler!): incluíram lembranças de Lisbeth tacando fogo em Zalachenko, o que não tem no livro. Quem leu sabe que Zala só aparece mesmo no segundo volume da série.

Mas fora isso, um filme muito bem feito, com uma fotografia lindíssima (apesar de a gente sentir o frio mesmo no conforto do sofá, sob os cobertores), e que não deixa nada a desejar ao livro. Uma bela homenagem a Stieg Larsson (RIP).

domingo, 5 de setembro de 2010

A Rainha do Castelo de Ar

 

the girl who kicked Com mais de 15 milhões de exemplares vendidos no mundo, a trilogia Millennium é uma das mais bem-sucedidas séries policiais dos últimos anos, e já conta com uma versão cinematográfica prevista para estrear no Brasil. Quer seja tratando da violência contra as mulheres, quer seja enfocando os crimes cometidos por magnatas ou pelo Estado, a saga cumpre sua principal missão: a de nos prender numa leitura envolvente, cheia de mistérios.
Neste terceiro e último volume da série, Lisbeth Salander se recupera, num hospital, de ferimentos que quase lhe tiraram a vida, enquanto Mikael Blomkvist procura conduzir uma investigação paralela que prove a inocência de sua amiga, acusada de vários crimes. Mas a jovem não fica parada, e muito mais do que uma chance para defender-se, ela quer uma oportunidade para dar o troco. E agora conta com excelentes aliados. Além de Mikael, jornalista investigativo que já desbaratou esquemas fraudulentos e solucionou crimes escabrosos, no mesmo front estão Annika Giannini, advogada especializada em defender mulheres vítimas de violência, e o inspetor Jan Bublanski, que segue sua própria linha investigativa, na contramão da promotoria.
Com a ajuda deles, Lisbeth está muito perto de desmantelar um plano sórdido que durante anos se articulou nos subterrâneos do Estado sueco, um complô em cujo centro está um perigoso espião russo que ela já tentou matar. Duas vezes.
"A Rainha do Castelo de Ar" enfoca de modo original as mazelas da sociedade atual, tendo conquistado um lugar único na literatura policial contemporânea.

 

Lisbeth vai à forra nesta última parte da Trilogia Millenium. Após sofrer diversos abusos por parte da família e das autoridades suecas, ela parte para o ataque. E podem se preparar, porque uma vez que essa baixinha começa uma coisa, ela vai até o fim.

O livro começa exatamente onde A menina que brincava com fogo termina. Após quase morrer, Lisbeth se recupera no hospital, e está presa, acusada de vários crimes. Ela está isolada em seu quarto, e nem imagina que há uma terrível conspiração para mantê-la presa em um sanatório para o resto da vida. Mas se por um lado há uma porção de gente conspirando contra ela, também há um outro contingente brigando por ela.

Dentre estes, claro, está seu fiel amigo Mikael Blomkvist. Incansável, Blomkvist arriscará tudo até provar a inocência de nossa querida hacker. E, no meio do caminho, não é que o ladies man acaba encontrando uma mulher que o dome? Só que Blomkvist também estará em perigo mortal ao tentar ajudar Lisbeth.

Mais personagens interessantes aparecem no desfecho da trilogia, como a advogada Annika Giannini. Irmã de Blomkvist, ela é persuadida por este a defender Lisbeth. E tenho que dizer que eu não dava muito crédito a ela. Inicialmente relutante a representar Lisbeth, Giannini se mostra à altura do desafio, e surpreende a todos com sua sagacidade.

Outra personagem de destaque é Monica Figuerola, uma inspetora da polícia secreta sueca, viciada em malhação e que encontra em Blomkvist o maior desafio que teve na vida. Destemida, ela entra na investigação contra os conspiradores dentro da polícia secreta, que inclui vários homens poderosos, sem pestanejar.

Erika Berger, amante de Blomkvist, é que parece estar meio deslocada na trama, após sua saída de Millenium. Mas o que acontece é que ela também acaba sendo vítima de um stalker, numa trama paralela que pode acabar com sua vida. E ela mostra um lado desconhecido até então.

Destaque ainda para Ian Bublanski, detetive da polícia sueca que Não tem medo de enfrentar figurões do alto escalão do governo e segue numa investigação paralela sobre o verdadeiro assassino de Dag Svensson e sua namorada Mia no livro anterior. Ajudando o Inspetor Bubble está  Modig, uma mulher corajosa e incansável, que não descansa até que se faça justiça.

A ação deste último volume da série se desenrola um pouco mais devagar que nos outros dois, e é preciso prestar muita atenção a todas as traições que acontecem no desenrolar do livro, para não se perder no meio de tanta sujeira. E demora um pouco para que a história engrene. Mas vale à pena, porque o final é simplesmente uma delícia de se ler. Os fãs da série não irão se decepcionar com o desfecho. Uma trama de espiões para Jason Bourne nenhum, botar defeito

Trilha sonora

In the end, do Linkin Park, é perfeita (in the end, it doesn’t even matter). Won’t get fooled again, do The Who, também.

Se você gostou de A Rainha do Castelo de Ar, pode gostar também de:

  • Os homens que não amavam as mulheres – Stieg Larsson
  • A menina que brincava com fogo – Stieg Larsson
  • coleção Jason Bourne – Robert Ludlum ( incluindo os 3 filmes)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A menina que brincava com fogo

 

The girl who played with fire "Não há inocentes. Apenas diferentes graus de responsabilidade", raciocina Lisbeth Salander, protagonista de "A Menina que Brincava com Fogo", de Stieg Larsson. O autor - um jornalista sueco especializado em desmascarar organizações de extrema direita em seu país - morreu sem presenciar o sucesso de sua premiada saga policial, que já vendeu mais de 10 milhões de exemplares no mundo.
Nada é o que parece ser nas histórias de Larsson. A própria Lisbeth parece uma garota frágil, mas é uma mulher determinada, ardilosa, perita tanto nas artimanhas da ciberpirataria quanto nas táticas do pugilismo, que sabe atacar com precisão quando se vê acuada. Mikael Blomkvist pode parecer apenas um jornalista em busca de um furo, mas no fundo é um investigador obstinado em desenterrar os crimes obscuros da sociedade sueca, sejam os cometidos por repórteres sensacionalistas, sejam os praticados por magistrados corruptos ou ainda aqueles perpetrados por lobos em pele de cordeiro. Um destes, o tutor de Lisbeth, foi morto a tiros. Na mesma noite, contudo, dois cordeiros também foram assassinados: um jornalista e uma criminologista que estavam prestes a denunciar uma rede de tráfico de mulheres. A arma usada nos crimes - um Colt 45 Magnum - não só foi a mesma como nela foram encontradas as impressões digitais de Lisbeth. Procurada por triplo homicídio, a moça desaparece. Mikael sabe que ela apenas está esperando o momento certo para provar que não é culpada e fazer justiça a seu modo. Mas ele também sabe que precisa encontrá-la o mais rapidamente possível, pois mesmo uma jovem tão talentosa pode deparar-se com inimigos muito mais formidáveis - e que, se a polícia ou os bandidos a acharem primeiro, o resultado pode ser funesto, para ambos os lados.
"A Menina que Brincava com Fogo" segue as regras clássicas dos melhores thrillers, aplicando-as a elementos contemporâneos, como as novas tecnologias e os ícones da cultura pop. O resultado é um romance ao mesmo tempo movimentado e sangrento, intrigante e impossível de ser deixado de lado.

 

A princípio, A menina que brincava com fogo não parece que pertence à trilogia Millenium. Lisbeth na praia, no Caribe? Que raio é isso? Mas não se enganem. Mesmo com merecidas “férias”, ela não deixa de lado seu superhipermega computador, e sai fuçando a vida dos hóspedes do quarto vizinho no hotel. Não seria a nossa querida Lisbeth se não fizesse isso. De volta à Suécia, ela se encontra em uma armadilha da qual será difícil escapar. Ela continua a mesma, com a língua afiada, determinada e briguenta. Só que agora sabemos o porque de tanta raiva. E, apesar do título, ainda se trata de homens que não amam as mulheres, o que deixa Lisbeth ainda mais invocada (mal posso esperar para ler o terceiro, em que ela parte para a luta. Sai da frente!).

O que Lisbeth não sabe é que pode contar com amigos fiéis que não duvidam por um segundo sequer de sua inocência. Claro, um deles é Mikael Blomkvist, seu parceiro jornalista de Os homens que não amavam as mulheres. Prestes a publicar mais um artigo bombástico expondo o tráfico sexual na Suécia, o jornalista responsável pelo furo e sua namorada criminologista aparecem mortos. Para piorar a situação, as digitais de Lisbeth aparecem na cena do crime. Sabendo do ódio que Lisbeth tem contra homens que não amam as mulheres (eu sei que está repetitivo, mas essa expressão é irresistível e Lisbeth não seria Lisbeth sem essa característica), Blomkvist fica com a pulga atrás da orelha resolve iniciar uma investigação paralela. Dragan Armanski, o antigo chefe de Lisbeth, também. E ainda aparece um boxeador aposentado, claro, um dos mais improváveis (mas de algum modo, muito lógico) amigos de Lisbeth. Todos convencidos de que, apesar de ter tendências violentas (sempre justificadas, e todas muito boas de ler), Lisbeth não seria capaz de assassinato.

Também ficamos sabendo um pouco mais sobre Lisbeth, e no final uma revelação surpreendente sobre o passado dela, e finalmente descobrimos o que “All The Evil” (claro que não vou mencionar o que é). Lisbeth tinha tudo para se tornar vítima, mas, muito pelo contrário, ela é batalhadora, e não se sente confortável no papel de vítima.

Confesso que, por causa do começo tão diferente do que eu esperava, demorei um pouco para engrenar no livro, mas depois é difícil de largar. Como no primeiro, não é para quem tem estômago fraco. Esse é ainda mais violento, e também achei que as cenas de sexo são um pouco mais ousadas (sem ser vulgares. Afinal, o autor não é Nora Bing).

E, se eu achava que a tal família Vanger é complicada, é porque ainda não tinha lido o segundo. Os bad guys desse são bem piores. Continuam sádicos e brutais, mas também lucram com isso. E o tal gigante é intrigante, e assustador. Bem parecido em certos sentidos com Silas, o albino masoquista de O Código Da Vinci. Fico imaginando quem vão escalar para o filme.

Um aviso: é preciso ler o primeiro antes, senão algumas coisas ficam meio perdidas. Não que elas sejam importantes para a trama, mas o leitor pode ficar se perguntando: ué, de onde saiu isso? Uma leitura muito boa e, apesar do tema ser pesado, agradável.

Trilha sonora

Burn, do Deep Purple (claro) e também Everything burns, com Anastasia e Ben Moody (uma parceria improvável, mas que deu muito certo. é trilha de Quarteto Fantástico e é pena que não é uma música conhecida. Para quem quiser conferir:Everything burns). Também Assassin, do Muse e a ótimaThe kill, do 30 seconds to mars

Se você gostou de A menina que brincava com fogo, pode gostar também de:

  • O Código Da Vinci – Dan Brown
  • Anjos e Demônios – Dan Brown
  • A rainha do castelo de ar – Stieg Larsson
  • Os homens que não amavam as mulheres – Stieg Larsson
  • Nada dura para sempre – Sidney Sheldon

domingo, 18 de julho de 2010

Os homens que não amavam as mulheres

The girl dragon tatoo Vem da Suécia um dos maiores êxitos no gênero de mistério dos últimos anos: a trilogia Millennium - da qual este romance, "Os Homens que não Amavam as Mulheres", é o primeiro volume. Seu autor, Stieg Larsson, jornalista e ativista político muito respeitado na Suécia, morreu subitamente em 2004, aos cinqüenta anos, vítima de enfarte, e não pôde desfrutar do sucesso estrondoso de sua obra. Seus livros não só alcançaram o topo das vendas nos países em que foram lançados (além da própria Suécia -onde uma em cada quatro pessoas leu pelo menos um exemplar da série -, a Alemanha, a Noruega, a Itália, a Dinamarca, a França, a Espanha e a Inglaterra), como receberam críticas entusiasmadas.
Um dos segredos de tanto sucesso é a forma original com que Larsson engendra a trama, conduzindo-a por variados aspectos da vida contemporânea: do universo muitas vezes corrupto do mercado financeiro à invasão de privacidade, da violência sexual contra as mulheres aos movimentos neofascistas e ao abuso de poder de uma maneira geral. Outro é a criação de personagens extremamente bem construídos e originais, como a jovem e genial hacker Lisbeth Salander, magérrima, com o corpo repleto de piercings e tatuagens e comportamento que beira a delinqüência. O terceiro é a maestria em conduzir a narrativa, repleta de suspense da primeira à última página.
"Os Homens que não Amavam as Mulheres" é um enigma a portas fechadas - passa-se na circunvizinhança de uma ilha. Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe uma flor emoldurada - o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Ou ser morta. Pois Henrik está convencido de que ela foi assassinada.
Quase quarenta anos depois o industrial contrata o jornalista Mikael Blomkvist para conduzir uma investigação particular. Mikael, que acabara de ser condenado por difamação contra o financista Wennerström, preocupa-se com a crise de credibilidade que atinge sua revista, a Millennium. Henrik lhe oferece proteção para a Millennium e provas contra Wennerström, se o jornalista consentir em investigar o assassinato de Harriet. Mas as inquirições de Mikael não são bem-vindas pela família Vanger. Muitos querem vê-lo pelas costas. Ou mesmo morto. Com o auxílio de Lisbeth Salander, que conta com uma mente infatigável para a busca de dados - de preferência, os mais sórdidos -, ele logo percebe que a trilha de segredos e perversidades do clã industrial recua até muito antes do desaparecimento ou morte de Harriet. E segue até muito depois... até um momento presente, desconfortavelmente presente.

 

Basta começar a ler Os homens que não amavam as mulheres para entender o sucesso que a trilogia faz. Nem bem cheguei à metade, o livro já constava como um dos meus favoritos. Mas tenho uma ressalva: li em inglês, e o título é The girl with the dragon tattoo, numa referência a Lisbeth, mas eu prefiro o título em português. Esses tais homens realmente não amavam as mulheres.

Confesso que o começo é meio arrastado, com as informações sobre mercado financeiro da Suécia, mas só pelas primeiras cinquenta páginas. A partir daí, não dá para largar. Até tira o sono. O livro é muito bem escrito. No começo, com toda a história de Blonkvist sendo processado, eu ficava me perguntando :”afinal, o que isso tem a ver com o desparecimento? Quando Lisbeth vai aparecer?”. Logo, a trama vai se condensando, e o leitor passa a ver as conexões entre os fatos.

Os personagens são muito bem construídos. A melhor, sem dúvida nenhuma é Lisbeth, a hacker baixinha, tatuada e invocada que ajuda Blonkvist na investigação do desaparecimento de Harriet Vanger. Não se enganem com a aparência frágil de Lisbeth. Ela é forte e não leva desaforo para casa. Confesso que às vezes ela dá medo, mas suas ações são totalmente justificadas e a gente torce por ela, e fica até esperando para ver o que ela vai fazer. Independente, ela faz o que bem quer e não dá satisfações de seus atos a ninguém. Lisbeth é misteriosa, tem um passado triste, mas acho que há mais coisas aí, e mal posso esperar pelas sequencias para descobrir mais sobre ela.

Mikael Blonkvist, o jornalista contratado para desvendar o mistério do desaparecimento de Harriet, é idealista, e sofre com um processo por difamação, que pode por em risco tudo por que ele lutou a vida toda. Mulherengo, não tem quase nenhuma mulher no livro que ele não trace. É determinado, e vai até o fim com suas investigações. Seu defeito (além da galinhagem) é que ele é impulsivo, o que pode colocar todo seu trabalho, bem como sua vida, em risco.

A família Vanger é um verdadeiro ninho de cobras, de gente mesquinha, ambiciosa e corrupta. Não dá para isolar um só membro, e eu não sei de que lado cada um deles está. Nenhum deles diz toda a verdade, e todos tem seus segredos. Não dá para confiar em ninguém. E todos eles levantam suspeitas. Uma hora eu desconfiava de um, outra de outro.

Mais para o final, fica meio previsível o que acontece, mas até lá, o mistéio é absoluto, e o leitor fica se perguntando onde é que tudo vai dar. E há histórias inacabadas. deixando brechas para os outros dois livros que completam a trilogia.

Coincidência ou não, eu li esse livro justamente quando o Brasil está de cabelos em pé com o caso Bruno (do Flamengo). Taí um cara que na real não ama as mulheres (nem ele, nem seus comparsas, porque o cara é culpado mesmo, ainda que ele não tenha sido o executor da ex-namorada. Não era mais fácil pagar a pensão?), e enquanto eu vejo as notícias do caso, não posso deixar de fazer ligação com o livro. Como na vida real, o livro não é para quem tem estômago fraco, pois os níveis de violência são bem parecidos.

De qualquer maneira, Os homens que não amavam as mulheres é um excelente suspense, daqueles que dão medo, mas que ao mesmo tempo não podemos deixar de lado.

Se você gostou de Os homens que não amavam as mulheres, pode gostar também de:

  • A menina que brincava com fogo – Stieg Larsson
  • A Rainha do castelo de ar – Stieg Larsson
  • trilogia Força Sigma – James Rollins
  • Nada dura para sempre – Sidney Sheldon